Narayani's Journal

Saturday, January 31, 2004

5:36PM

THE END

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Saturday, December 20, 2003

3:24AM

" (...) somos as vossas próprias inseguranças e frustrações, os vossos próprios projectos fracassados que transferem para nós e nos impõem a seguir…Foi assim que eu cresci…Construíram a minha vida num mundo demasiado irreal, num mundo que não era o meu…Não era eu quem vivia, eram eles…Eles é que sonhavam por mim, faziam planos e exigiam que os cumprisse de tal maneira que nunca consegui ser eu verdadeiramente…Sempre me achei incapaz de concretizar tudo o que não fosse idealizado por eles…Vivia num espaço onde as palavras não se entendiam, os silêncios não se escutavam, onde por mais alto que gritasse ninguém me podia ouvir…Eu era um vazio que nem sequer me pertencia (...) "

o meu guião para a peça "Conversas de Balão"

"Sempre quis que fosses a minha palavra para além do que dizia, o eco da minha voz ao longe, o meu não constante aos donos do mundo. (...) Queria-te independente e próximo, criança e homem, alguém capaz de levar por diante as minhas ideias. Por vezes imaginei-te um rasto de mim, um pedaço do meu corpo a viver ao longe, um novo ser poucas vezes diferente do que ambicionei. Noutras ocasiões desenhei-te distante, mal te distinguia ao longe, ficava então só e à espera, o tempo havia de te fazer regressar para junto de mim."

Daniel Sampaio, "Vagabundos de Nós"

Current mood: okay
Current music: Mogwai - Summer
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Thursday, November 20, 2003

10:05PM - frase do dia ;)

"...a existência não tem sentido, cabe-nos a nós inventá-lo...", R.

Current mood: weird
Current music: A Perfect Circle - Blue
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Tuesday, November 18, 2003

1:02AM


"and you bleed just to know you're alive..."

Current mood: ...
Current music: ...
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Tuesday, November 11, 2003

12:06AM

"Ninguém cometeu maior erro, do que aquele que nada fez, só porque podia fazer muito pouco." Edmund Burkea

http://www.lpda.pt/01campanhas/exp_animal.htm
http://ss23.no.sapo.pt/testes_em_animais.htm
http://www.terravista.pt/copacabana/2502/

Current mood: irritated
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Monday, November 10, 2003

2:20AM - insomnia...

Fecho os olhos.
Tento concentrar toda a energia que restou de mais um dia exausto de tanto existir.
Insisto.
O que mais desejo, agora, é adormecer.
Quero a anestesia ilusória do sono.
Sei que os pesadelos me perseguirão, mas já nem isso me assusta.
É inútil.
Sei o que irá acontecer nas próximas horas:
Aquela sensação de impotência,
Aquele vazio que parece asfixiar-me de tão inconsistente,
O começo do desespero,
E, finalmente, o cessar do tormento: a chegada do sono.
Acordarei várias vezes, com os sonhos a atormentarem-me a memória.
Quando o novo raiar de sol gritar por mim,
Esconder-me-ei debaixo dos lençóis e implorarei clemência.

Current mood: awake
Current music: A Perfect Circle - The Noose
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Sunday, November 2, 2003

2:04AM - Fulfillment, Gustav Klimt

Current mood: full
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Wednesday, October 29, 2003

10:48PM - um excerto do meu livro preferido...

"A autodestruição surge após múltiplas perdas, fragmentos de dias perdidos ao longo dos anos, rupturas, pequenos conflitos que se acumulam hora a hora, a tornar impossível olhar para si próprio. O suicídio é uma estratégia, às vezes uma táctica de sobrevivência quando o gesto falha, tudo se modifica em redor após a tentativa. E quando a mão, certeira, não se engana no número de comprimidos ou no tiro definitivo, a angústia intolerável cessa naquele momento e, quem sabe, uma paz duradoura preenche quem parte. Ou, pelo contrário e talvez mais provável, fica-se na dúvida em viver ou morrer, a cabeça hesita até ao último momento, quer-se partir e continuar cá, às vezes deseja-se morrer e renascer diferente."


Daniel Sampaio, "Tudo o que Temos Cá Dentro"

Current mood: nostalgic
Current music: Smashing Pumpkins - Tonight Tonight
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Monday, October 13, 2003

11:22PM - Emilie Floge, Gustav Klimt



Nesta sombra que há em mim
Já nada se exalta
Já nada transpira
Todos partiram e os outros partirão

Neste vazio de solidão
A consciência do fim
É a única coisa palpável

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Monday, September 29, 2003

10:17PM - ...

O Operário em Construção

Era ele que erguia as casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que a sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que o seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que os seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
«...Convençam-no» do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer "não".

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que reflectia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objectos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca da sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Como o mêdo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção

Vinicius de Moraes

Current mood: worried
Current music: Smashing Pumpkins - Soma
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Wednesday, September 24, 2003

12:18AM - internem-me...=P

HASH(0x8773e14)
borderline


Which Personality Disorder Do You Have?
brought to you by Quizilla

Current mood: lonely
Current music: Sigur Rós - Svefn-G-Englar
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Monday, September 22, 2003

1:29AM


Which Trainspotting Character Are You?

Current mood: sleepy
Current music: Placebo - Passive Aggressive
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Friday, September 19, 2003

7:46PM

Quando vi o vídeo só prestei atenção à parte em que o Billy diz que os Zwan acabaram...Passei-me mais uma vez por ter perdido uma oportunidade única de os ver...Mas agora parece que ele tá mesmo decidido a ter uma carreira a solo :) Ah, e espero que o livro de poesia dele chegue cá depressa!

Current mood: tired
Current music: Gotan Project - Triptico
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Monday, September 15, 2003

7:44PM

http://off-on.com/zwan/

Current mood: pissed off
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Thursday, September 4, 2003

2:37AM - *

"Cupid hath pulled back her sweetheart's bow
To cast divine arrows into her soul
To grab her attention swift and quick
Or morrow the marrow of her bones be thick
With turpentine kisses and mistaken blows
(...)
So note all ye lovers in love with the sound
Your world be shattered with nary a note
Of one cupids arrow under your coat"

Billy Corgan

Current mood: complacent
Current music: Smashing Pumpkins - Cupid de Locke
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Friday, August 29, 2003

4:04AM - outro poema que adoro...

Se te queres matar

Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo polícromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta, não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação.
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...

Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversáriamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala de ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memórias dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

Álvaro de Campos

Current mood: sore
Current music: Anathema - Fragile Dreams
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Thursday, August 28, 2003

3:18AM



Vermelha é, de não conseguir estancar o sangue que possui, tem espinhos que cresceram na sua insegurança e vive fechada dentro de si própria; à espera de desabrochar com um gesto.

Current mood: indifferent
Current music: Radiohead - Just
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Wednesday, August 27, 2003

3:52AM - ;P

eu vi marte!! eu vi marte! nanananananananananana :P

well, don't have much to say...

this song is simply beautiful...

"pick your pockets full of sorrow and run away with me tomorrow..." *

Current mood: hopeful
Current music: Smashing Pumpkins - Mayonaise
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Tuesday, August 26, 2003

5:26AM - a fairy tale city




just wanna go far away...

Current mood: enraged
Current music: Glassjaw - Everything You Ever Wanted To Know About Silence
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Saturday, August 23, 2003

2:02AM - The Political Compass

Fiz o teste, há umas semanas, e achei-o giro. Quanto ao resultado, deu-me anarquismo, embora não me considere anarquista lol mas enfim...Na verdade, não consigo encontrar nenhuma definição dessas para descrever o que sou...Mesmo assim, tenho amigos que disseram que o resultado foi o que estavam à espera e que o teste é eficaz, por isso, experimentem: http://www.politicalcompass.org/

Current mood: amused
Current music: Incubus - Vitamin
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