esperleu's Journal

Thursday, October 20, 2005

4:32PM - Esperléus ainda por postar..

Esperléu Jemena, Esperléu Curva, Esperléu Ai Não, Esperléu Barraca, Esperléu Boneco, Esperléu Élá, Esperléu Xi, Esperléu ÁvóLilá, Esperléu DáCáUmXi, e alguns outros que não me lembro agora.

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Sunday, September 28, 2003

11:00AM - esperléu !

 

 

Esperléu!

 

 

“…e sobretudo não temer o ridículo, pois quanto mais redutivo (…) maior será o Esperléu.”

 

 

Gente há que por mais que fale pouco consegue dizer, outros nem por isso, e há ainda outros que nada dizem, mas dizem muito. Esses são os adeptos do “Esperléu”, que procuram alcançar a real essência da linguagem, permutando a ancestral linguagem conceptual por um dialecto abstracto e minimalista. Tampouco se trata de uma linguagem simbólica ou parabólica, o Esperléu é sobretudo um redireccionamento que se faz à própria língua, extraindo-se por intermédio desta técnica a matéria-prima da comunicação: um sentimento -em potência- dialogante.

Compreendemos que os quadros lógico-sociais da civilidade humana incluem sobejamente o Verbo como substrato de quase toda a comunicação, mas sabemos também que este se encontra na origem tanto de concórdias como de discórdias, sendo que por diversíssimas vezes é na incapacidade de transmissão do sentimento para a palavra que se coloca o problema da oralidade comunicante. Não estamos em querer minimizar o papel da palavra, pois consideramos que o propósito da questão é tornar acessível a todos a fruição de uma comunicação o mais humanizada possível, apresentando o Esperléu como um seguro transmissor do que vai na alma de cada um. Não propomos sequer uma substituição linguística. Consideramos o valor do Esperléu pela sua economia, porque não usando de nenhum raciocínio lógico demorado, ele transmite o âmago de um sentimento mais ou menos profundo, de uma alegria ou de um simples devaneio. O Esperléu tem desta forma componentes recreativas, terapêuticas e educativas.

O ser humano corrente pretende açambarcar para seu benefício a exclusividade, a auto-promoção e a vanglória. Percebemos essa necessidade inata nos mais comuns actos diários, observando uma defesa dos seus quaisquer estatutos com a finalidade de legitimar a sua posição na sociedade. O Esperléu rompe esses péssimos hábitos competitivos que estão na origem da edificação de barreiras (psicológicas) que distanciam entre si os homólogos da espécie. Esse fenómeno de auto-promulgação desfalece perante a argúcia da arte esperlipatana que separa tão sabiamente as águas da verdade das de mentiras firmadas sobre auto-defesas esperlipitecas.

Não é nosso propósito calcinar o leitor com uma leitura demasiadamente densa, mas ESPERLÉPÉUPÉU!!!Estaparniçi!! Aiaiii chaparnilii, o esberréu esperléu esternocotó CAPARNACHA! ESPERLIÇO! (Ai que alívio…)

O mundo do Esperléu é também o reino do ilógico. Não devemos no entanto perceber por ilógico algo que não inclui mensagem: devemos ao invés vê-lo como algo que rompe com os paradigmas vigentes, mas direccionado para uma finalidade que, como dissemos, pode ser lúdica ou qualquer outra. Quebrar as limitações constantemente impostas pela lógica formal parece adequar-se ao propósito de fuga para fora da esfera da lógica comum. Surge deveras prazenteira a possibilidade de, por momentos, arrecadar a coerência por um pouco, dobrando a página da compostura social mormente aceite. Tudo o que é descontextualizado ou incompatível, descentrado ou excêntrico pode ser, por consentâneo ao “reino do ilógico” atrás referido, considerado como um Esperléu ou derivado. Recordo neste instante um dia em que fui com a minha mãe às compras, e ela disse que a carne de vaca estava mais cara, e então eu, que era muito pequeno, ouvia-a a falar.

Realizar Esperléus implica fazer uso das suas duas vertentes primordiais: O gesto e o som. Estes podem ser combinados ou talhados separadamente, tudo dependendo do Esperléu escolhido a cada momento. Acção e som, como plataformas de suporte de quase todas as áreas da vida, são afincadamente trazidos à baila nesses momentos tão sui-géneris do Esperléu.

Seria importante referir também a dificuldade sentida por muita gente que tenta sem sucesso levar a cabo a tarefa de libertação e naturalidade que é visada no Esperléu. Nunca desanimem, pois um bom Esperléu precisa de alguns ingredientes: Treino, espontaneidade, e sobretudo não temer o ridículo, pois quanto mais redutivo, auto-humilhante e incoerente, maior será o Esperléu. Salte, grite, caricature qualquer situação, mas acima de tudo viva este teatro na própria carne, sinta profundamente e deixe fluir essa energia encerrada dentro de si, aprisionada pelos esquemas sociais repressores e inibidores.

Mas talvez a melhor forma de introduzir a temática seja apresentando vários exemplos agregados de uma elucidação simples. E é com acrescida simplicidade que entraremos -agora sim- no verdadeiro domínio do Esperléu. BEM HAJA CHAPARNIÇOS! Ô-DASSS!

 

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10:30AM - nascimento

 

 

O nascimento do Esperléu

 

 

Foi nos arredores de Tomar, em finais dos anos 90, que foi feito o primeiríssimo Esperléu. Nasceu de forma livre mas teve um parto difícil. Nós, construtores do método esperlipéu-pilau, gritávamos “CHAPARNÉLI, PINIMOLI, CAPARNÍTI!” ou então “ESPERLÉUPÉUPÉU CHIPERNIPÉLI!”, enquanto afinávamos a técnica que retomamos de um empregado de mesa que tantas vezes dizia: “TRACAFECO TRACALHAMBECO!” Foi rebuscando nas memórias deste homem de nome António que produzimos e desenvolvemos todo o mundo dos Esperléus. “Espernicoti-Esperlóf!” dizíamos, sintonizando desta forma os esberréus calhastamínis. Cada nova palavra fazia lembrar um esterniféti caparnéli, e nós fazíamos caretas estaparlélas. Ainda no contexto das origens dos esperliços brota das lembranças mais profundas que alcançamos um Esperléu de intensa originalidade do Macedo chipinéti: “Ahhh Ahh Ahhh Ahhhh! Sabes o que é que eu estóu a dizer? Tou com fome.” Estes foram provavelmente os primeiros momentos em que se “esperleou” em Portugal, e, provavelmente no mundo.

 Decidimos juntar esforços para criar uma nova linguagem que, por via directa, pegasse nas emoções em estado condensado trazendo-as à luz. Queríamos despontar aquelas sensações que tantas vezes as palavras não sabem definir e soltar as rédeas da imaginação, ajuntando tremendas gargalhadas pós-escárnio. Rimos imenso mas depressa nos apercebemos do valor revitalizador do Esperléu que forneceu um enorme recobro na nossa saúde anímica. O ócio esgueirou-se para fora das nossas vidas e a comédia instalou-se a cada momento em que traduzíamos mensagens simples em convulsões quase esquizofrénicas.

Experimentamos o sabor da crítica comportamental de alto calibre, dissimulada do outro lado de uma agradável paranóia. O Esperléu nunca agride, bem pelo contrário, faz aflorar sorrisos nitidamente naturais, traz alegria à vida de quem os faz e à de quem os assiste.

 

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10:00AM - terapia

 

 

A Terapia do Esperléu

 

 

            Pois é, o Esperléu tem, de facto, efeitos terapêuticos. Lembram-se dos japoneses que atiram vasos partindo-os? O seu reconhecido efeito anti-stress tem afinidade com a prática do Esperléu. O stress do quotidiano com as suas implicações não permite que as pessoas se soltem para que possam ser elas próprias, frustrando inúmeras vezes o íntimo de cada um, que, cansado e empobrecido pela necessidade obsessiva de ser aceite, se mantém latente. Se praticar o Esperléu, soltará essa loucura dissimulada com efeitos recobráveis para a sua saúde emocional e anímica. Experimente gritar um: “CHAPARNIÇO ESTAPARNÉLI ESPI-PI-PI-PIU!”, dobre-se enquanto o faz e gesticule ridiculamente com as mãos… Mas improvise sobretudo, pois cada um pode e deve personalizar os seus Esperléus.  O peso do teatro da vida desfalece quando finalmente o seu interior se encontra consigo mesmo. Se “quem canta seus males espanta”, “quem esperléua seus tracafecos esparnita”.

 

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7:00AM - finório

 

 

O Esperléu finório

 

 

        O Esperléu finório é o tipo chique de Esperléu, que visa representar as hipocrisias da alta sociedade. O Esperléu é também um acto crítico que demonstra que você conhece e domina os esquemas sociais e as suas características próprias. Trata-se de um ponto médio entre a crítica subversiva e a argúcia de espírito, indicando a quem ouve o Esperléu finório uma audácia sem culpa que transmite de forma singela todo o meticuloso enredo do “jet set”. Apontando a prática do Esperléu para um adentramento à essência da linguagem sem fazer uso de palavras contextualizadas, sobeja então todo o espírito substitutivo da lógica verbal que, de forma sub-reptícia, aclara a intenção do realizador proporcionando momentos de lazer e risota inolvidáveis.

            A técnica passa por efectuar este Esperléu sentindo à priori a tacanhez e mesquinharia do requinte dessa elite social. O autor deve encolher os ombros, abanando, colar os antebraços ao longo do corpo e deixar as mãos bastante soltas, oscilando e emitindo com as cordas vocais sonoridades desconexas sempre de forma suave, insistindo em sons mais picuinhas como exemplarmente “uis, uis, espi-spish pernitiiii, espépé, espepé-péiiiiii,espernéééliiiti”. Fale devagar e procure repetir ruídos evitando os “ós” que são sílabas graves e pouco refinadas. Simule uma gaguez inspirando e expirando enquanto harmoniza o Esperléu. Se sentir fazê-lo, bata palminhas delicadamente no início, aumentando a intensidade até se ouvir bem o som agudo de um forte aplauso. Com a boca, faça convincentemente figuras niquentas, vibrando com a conjuntura delicada deste espirituoso Esperléu.

Considere este protocolo uma dica de como o fazer, mas o importante é que, qualquer que seja o modo de representação, ele figure responsavelmente uma personagem adepta de ninharias. A adição de comédia, essa, caracteriza o Esperléu.

 

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6:00AM - conversa

 

 

O Esperléu de conversa

 

 

O Esperléu de conversa é uma proposta agradável para proporcionar uma inesperada surpresa da parte do seu colocutor. Inicie uma conversa responsável e acertada, tentando manter a mesma formalidade gestual e dialogista ao longo de todo o discurso. Iremos citar um exemplo de uma conversa circunscrita por um Esperléu:

 

-Olá, tudo bem? (…) Por acaso sabes se a hora vai mudar amanhã? é que há dois dias, o comboio que faz a ligação, desde que o seu irmão lhe disse a sua opinião sobre aquilo que faz rir toda a gente, os semáforos têm três luzes: Vermelho, amarelo e verde, nunca funciona assim, a gestão das empresas nunca escolhe parceiros de negócios chaparniços, a tua prima já conseguiu passar no exame de condução?

 

Realmente oblíquo, o sentido do Esperléu de conversa surpreende qualquer um. Trata-se de uma miscelânea de diversos temas lançados ininterruptamente, sem vacilar nem ao nível do embaraço que pode causar, nem tampouco nas feições seguras que qualquer pessoa adopta quando fala de algo bastante banal.

 Divirta-se experimentando diversas combinações de assuntos reunidas no mesmo monólogo. Este Esperléu pode facilmente atonizar e confundir qualquer pessoa, mas ela disse ao carteiro que aquela carta não era para ela, e então apareces lá amanhã? , brilha, brilha que parece o sol, nem sempre se recebe na hora, quando aparecem as despesas é que vêm os problemas.

“Nunca mais chove!” afirmou o papáníli estaparnili! “Quero rebuçados!” “Ai não! A’ralho!” “Estaporno!”.

E desta forma, sem querer denunciaram-se mais duas formas de Esperléus: O Esperléu metereologico e o Esperléu asneirento. Estudemo-los em maior pormenor.

 

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5:52AM - inesperado

 

 

O Esperléu inesperado

 

 

“…e eu, qual mariconço, desato a fugir dali para fora…”

 

 

            Para explicar como se faz um Esperléu pelo inesperado, iremos citar um exemplo de uma historieta que pode ser contada por um amigo a outro:

 

            -É pá, ontem fui ali ao café, tava lá sentado a beber um copo, entra um gajo, senta-se na mesa à minha frente, e ficou quase sempre a olhar para mim. Comecei-me a enervar, levanto-me, vou direito a ele e digo-lhe: “Ó seu parvalhão, continuas a olhar para mim rebento-te os cornos, ouviste? Parto-te todo!” É pá, eu tava todo enervado, o gajo levanta-se da mesa, eu fiquei ali a olhá-lo mesmo nos olhos, o gajo vai para falar, eu interrompo-o e digo: “Cala-te ranhoso!! Levas-me um murro mesmo no meio da cara rebento-te todo!” tinha a mão em punho já a apontar à cabeça dele, eu tava cada vez mais enervado- “Escavaco-te essa tromba!! Rebento-te tooodo!” o gajo começa a arregaçar as mangas, e eu, qual mariconço, desato a fugir dali para fora, rabinho entre as pernas, cheiinho de medo a fugir que nem um bebé! Ala! Foge cobardolas! o gajo atrás de mim, toda a gente a olhar para mim, eu a fugir o coração a bater que nem doido, mijei-me todinho! “-Baza!” eu só pensava para comigo: “Raspa-te daqui p’ra fora antes que leves uma coça”, enquanto corria dali para fora, todo mijado e a cheirar mal. Ai não!! Foge! Rabinho entre as pernas ó cobardolas que eu sou!

 

            E esboce um sorriso ao seu amigo

 

            Ponha emoção enquanto conta a história, ponha emoção nas palavras, viva realmente como se lá tivesse estado a fugir cobardemente após uma arrogante ofensiva verbal. Veja que este Esperléu é realmente humilhante para si e para a sua imagem, experimente fazê-lo e verá que por momentos sentirá um mundo novo a abrir-se para si. Quebre as regras, faça este Esperléu.

 

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4:00AM - porno

 

 

O Esperléu porno

 

 

A presença da sexualidade na vida, sendo um dos factores primordiais da existência biológica mas também psicológica, permitiu-nos criar este Esperléuporno” para caricaturar esta mesma relevância que tem nos sectores não esperlecos-manecos da vida humana.

Habituados a piropos de toda espécie no quotidiano, depressa nos apercebemos de uma realidade comum a todos que, segundo os casos, se manifesta ou não através de verbalizações que traduzem comoções instintivo-sexuais. Por isso, em procissão a esta faceta tão humana, que são os “Eh carapau!”, “eh lá!” “és mesmo boa!...”, o Esperléu em questão termina todas as suas manifestações com a sílaba “porn” ou “porni”. Por exemplo, em linguagem esperlepateca avistar uma mulher atraente (ou homem) é uma ocasião mais que propícia para o dizer, em voz alta se quiser exibir-se, em segredo se optar pela privacidade ou balbuciando a um companheiro se houver lugar para uma cumplicidade. A seguir traçamos um possível exemplo do Esperléu porno:

 

Estarmanito, estaporni!” ou “espenepiço maneco! Lamimiu lariu taporno caporn”.

 

            Embarque neste Esperléu e experimente um erotismo de requinte inolvidável.

 

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4:00AM - resmungão

 

 

O Esperléu resmungão

 

 

O Esperléu que agora lhe apresentamos é um regozijo para satirizar as pessoas que se caracterizam pelo mau humor. Esta sátira não representa qualquer crítica directa pois não deve ser esboçada na frente de uma pessoa que se enquadre neste perfil. Engendrar este Esperléu evoca uma sensação paradoxal, pois o Esperléu sempre traz risos e satisfações, enquanto que o tom de voz e os tiques usados para expelir este género caparnéch de esperléuzada são de natureza mais nervosa, fria e resmungona.  

Estereotipar por intermédio de Esperléus tem um efeito didáctico, tarefa árdua de realizar por meio da linguagem corrente, pois é sabido que cada qual pode fazer interpretações pessoais acerca de qualquer assunto. A aprendizagem vem pela negativa, pois sabemos que o Esperléu, sendo um acto maldizente enverga por um trilho moralista de elevada repercussão. Conhece-se o “erro” censurado pois este residirá sempre no contexto esperlipitiu do Esperléu.

Para fazer o Esperléu na sua vertente de mau humor, cinja o sobrolho, cerre os dentes e entoe com moderada agressividade sons desconexos imitando uma insatisfação, um desagrado ou uma ira semi-contida. Proteste, como a seguir lhe mostramos.

 

Tastalheco!Ramiabuco!! Efilimerno caparélo!! Ai a mestafeca!” entre outros descontentamentos. Lembre-se que isto é uma simulação de um estado de contestação que tantas vezes possuem as pessoas retirando-as da sua sanidade mental. “Ai a paspalheca rabiteca chipita!”

 

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3:30AM - estrangeiro

 

 

O Esperléu estrangeiro

 

 

Chegamos a uma das mais interessantes tarranhón caparnéto, de españaleco maniti. Jabrulho caparníti chabulheco esterniteco. Este Esperléu visa imitar as línguas estrangeiras que tantas vezes escutamos sem entendimento. Quando tal acontece (quando escutamos turistas oriundos de países não lusófonos, por exemplo), a sensação de não possuir arcaboiço que sustente a compreensão da língua é uma impressão de aniquilamento radical, pois não ousamos argumentar ou consolidar um diálogo, logicamente, porque não se propicia nenhum laço que permeie a distância criada. Este afastamento dialogístico empurra-nos para um ridículo parvalhotti. Agarra na chupeta do bebé e põe-lha na boca Maria! Ai o Esterliço-Maniço! Mas regremos o nosso diálogo.

O Esperléu estrangeiro é um simulacro do que ouvimos mas não conseguimos perceber por ser falado numa língua desconhecida ou não totalmente dominada. Pode imitar inglês, francês ou, o nosso preferido pela pasmaceira que causa: o italiano. Por ser uma língua efeminada é motivo mais que suficiente para proporcionar momentos de esperléuzadas diurnas ou nocturnas, tanto esganeto. Deve simular com a voz os tiques geralmente atidos à língua que burla com o Esperléu estrangeiro. Exagere as marcas próprias de cada língua estrangeira. Experimente dizer, amaricando-se por completo, em varsão italiano-esperleca:  Caparnéli, capitcho parapino parpalíti”. Divirta-se com este risonho embuste às línguas que não ousamos compreender, criticando-lhes os traços mais legíveis.

 

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2:00AM - asneirento

 

 

O Esperléu asneirento

 

 

            Grosseiro significa bruto, tosco, mal polido. A linguagem grosseira (todos sabemos) é malcriada e intempestiva. Passada pelo papel químico do Esperléu, a malcriadice revê as suas palavras distorcidas, sem no entanto perder a sua sonoridade tão caracterizadora. Pode dizer, por exemplo, alguns Esperléus grosseiros sem cair no “pecado” de dizer palavrões. Simule outras baboseira com:

 

            “Ó DASS! LARÁPIO! FRUTA QUE O FARIU! VÔTÓ MÚ NA TARDA MILHA DA TUFA! ÔDASS PÓ CULARAFO! FILHO DA TRUTA! MILHA GRANDA FACA” ETC… Caia em tentação sem pecar…

 

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1:00AM - interrompido

 

 

O Esperléu interrompido

 

 

Este risível Esperléu está na lista dos mais usados pelos aficionados da esperléuzada. Trata de, repentinamente, interromper com um duradouro silêncio uma conversa ou assunto projectados. Simplesmente parar a meio da conversa. Nunca se torna enfadonho realizar este chapónzi alhambiqui pois infinitos assuntos podem ser lançados, nunca se correndo o risco de não surpreender o interlocutor. É a mesma coisa que, por exemplo. A frase anterior demonstrou um. Outros exemplos contendo o factor surpresa tão famigerado no mundo do Esperléu:

 

“É pá, nem imaginas aquilo que aconteceu sábado depois do almoço ao meu irmão: Foi lavar” (…) -interrompa neste ponto preciso sem se mostrar suspeito de nenhuma partida, olhando para o lado com a naturalidade de quem encerrou um assunto.

 

Ou:

 

“Sabias que as notas de euro provenientes da Alemanha têm” –Encerre aqui o assunto e mostre-se descontraído e descomprometido. Ganhará sempre a sua causa ao ouvir o tonto do seu ouvinte a pedir-lhe para acabar a frase! Então, depois, ou se ri desmascarando-se ou lance um espernito pafifi-lili completamente despropositado fazendo caretas ridículas e desmedidamente flageladoras para si. Isto ajudá-lo-á a sair dos esquemas acorrentadores do dia-a-dia.

 

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12:00AM - mudo

 

 

O Esperléu mudo

 

 

        O Esperléu mudo consiste na retoma da ridicularização inerente à prática comum da esperliçada manéca, com a particularidade de ser completamente desprovido de voz ou som. É um escaparate para a vergonha que se vê forçada ao constrangimento, ridicularizando ao máximo a imagem do intérprete.

            A técnica de confecção deste diminuidor Esperléu PéuPéu apoia-se na gesticulação rápida e agressiva –ver violenta. Deve-se transladar toda a energia para gestos concisos e plenos de intencionalidade. A precisão dos movimentos derivados de um veloz tempo de acção embarca-o num louco momento caparnéchi chipiri pipi pipiu, porém, sem abrir as cordas vocais ao sentido da audição.

            Esta versão chaparníli caparléchi de Esperléu é usualmente preferida no acto social do cumprimento. Em vez de cumprimentar-se dentro dos parâmetros tradicionalmente usados em sociedade (passabém, beijo ou palavras agradáveis), a dança calamitosa deste Esperléu arruína o sustento de amabilidade dos acostumados “olás”. Imagine-se respondendo a umas boas-vindas desta forma inusitada…

É extravagante mas também molesto, pelo que lhe dará um traquejo e uma segurança para outros tão diversos sectores da vida.

Este Esperléu encontra a sua mais alta manifestação e brilhantismo aquando de uma realização conjunta e espontânea. Se dois adeptos desta original forma de hobbie assim se saudarem, o contento será generalizado. Improvisem ambos posturas completamente descontextualizadas, e ver-se-á uma cumplicidade mistificada mas igualmente comprometedora. O Esperléu mudo é dos que mais risos arrancam, sendo que o sorrir discreto ou, melhor ainda, não aparente, torna a esperléuzada ainda mais intensa e anti-esquemática. Descarrile através deste Esperléu e encontrará semelhanças entre ele e as barafundas da dança contemporânea improvisada.

 

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Saturday, September 27, 2003

11:45PM - meteorológico

 

 

 

O Esperléu meteorológico

 

            Não tendo rigorosamente nada a ver com a predição da meteorologia (apesar da sua denominação), este Esperléu encontra o seu sentido e fundamento nas conversas sem direcção e objectividade em que tantas vezes se compenetram as pessoas. Essas conversações bastante superficiais acontecem quando não existe relevante assunto, havendo no entanto uma necessidade de comunicar. É por todos sabido que o silêncio constitui muitas vezes um motivo de volumoso embaraço. Sucede então que, para suprir esse incómodo, se lançam assuntos irrelevantes como a constatação do clima (considerações acerca do calor e da chuva entre outros.)

de chuva!”; “É assim, uns dias calor outros frio.”

Para além destas afirmações climatéricas chipiliu-calafecas, este Esperléu contém ainda diversas expressões mundanas avassaladoramente fúteis como as que a seguir nos dignamos expor. Estas, ainda que já não relacionadas com o tempo/clima, representam menções não mais inteligentes e chaparlitas.

“Tem de ser, se não se trabalha não se vai a lado nenhum. É a vida!”

   Ou

“Vai-se andando!”

Ou

“É preciso é fazer o que há p’ra fazer!”

O segredo de realização deste Esperléu muito engraçado está em responder a qualquer afirmação ou pergunta com afirmações deste género. A excentricidade que normalmente advém dos Esperléus acaba neste caso por não preponderar devido à simplicidade destas afirmações tão humildes. A descentração do âmbito de uma conversa ordinária proveniente de respostas tresloucadas como as deste Esperléu afiguram uma situação de anti-naturalidade vexatória sem perigo de exaltação, pois ninguém quererá decerto querelar com uma pessoa que aparenta ser tão simples, porquanto procura proferir palavras agradáveis, ainda que sem seguir os eixos da conversação.

 Ser agradável é a intenção das situações que este Esperléu cobre. Porém, o momento para manifestar esta adaptabilidade social aparenta ser muitíssimo mal escolhido, atordoando desprevenidamente quem quer que seja vitimado por este etaparnapáti. Assim, o Esperléu meteorológico no seu auge manifesta-se da seguinte forma:

-“Então, já conferiste a tua nota?” A esta pergunta responda por exemplo: “Tem de ser, uns dias chove outros faz sol” ou então: “Então e contigo tudo bem? Tem de ser! É a vida!”.

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10:00PM - musical

 

 

O Esperléu musical

 

Melodiosa, esta proposta de esperléuzalhada encontra o seu sustento na harmonia do canto. Deve-se entoar com grande devoção sons esperlécos acompanhados de uma orquestra imaginária que faz a marcação do respectivo compasso rítmico. É importante ser rigoroso no respeitante à harmonia de cada Esperléu musical, pois o rigor tem determinação no sentimento que procura ser expresso na cantarola deste Esperléu.

Diversos estilos musicais, desde o fado à canção tradicional árabe podem ser utilizados para proferir o Esperléu musical. Enquanto canta dentro dos parâmetros de um estilo previamente escolhido, profira sons esperliços que, indirectamente farão as vezes da letra da canção. Por vezes torna-se mais efusiva a interpretação da música estapanéli se colocar delicadamente a mão (direita) no lugar do coração, apostando desta forma na eloquência e profundidade do sentimento. Abanar a cabeça piscando bastantes vezes os olhos faz transparecer também uma maior ênfase à representação, pelo que pode optar, entre outros, por este artifício.

Finalmente, e como ponto principal, não deve seguir fielmente nenhuma música em concreto, deve sobretudo improvisar e variar as escalas sempre que cantar o Esperléu. Pode misturar temas mas é sobretudo do improviso que resulta o Esperléu em causa. Por exemplo, para uma canção de saudoso fado, cante:

“Maria do fisterléti, arramini, chapertáli, amooooooooo-tiloooo, rabiscos e mariscos, da lambreta do maneli, estaparnéeeeeeeliiiii…”

Cante e encante pela força musical, embarque nas melodias, dance simultaneamente e procure simular os sentimentos hipócritas que muitas vezes pisam os palcos.

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9:13PM - chunga

 

O Esperléu chunga

 

“Arrota kepi-shota! Ai não!! a andar de mota! Até a barraca abana! Bazéeeeiiiiin! Ò pá, a minha garina na gosta disso, pá!..”

Eis algumas das expressões mais comuns dentro dos conteúdos da comunicação inter-chunga. A auto-promoção caracterizadora de cada um dentro da vida humana atinge o “ground-zero” no exibicionismo descabido e espalhafatoso dos chungos. Estes, convencidos de que estão no centro de cada acção por instrumento das suas manifestações obsoletas, erram gravosamente. O mundo espanta-se, sim, mas pela negativa impressão que causam.

Apesar de tudo, o factor positivo que nos fez garantir o Esperléu chunga é a completa desarmonia que as suas expressões rançosas causam no seu meio circundante. É muito engraçado aperceber-se da incultura deste “estrato social” que, paradoxalmente, se exibe mas colhe a diminuição.

Para usufruir deste tipo de Esperléu, deve lançar expressões semelhantes às citadas em qualquer lugar público (ou privado, desde que assistam um mínimo de duas pessoas). Escarneça de si mesmo rebaixando a idiossincrasia da sua implantação na sociedade, desça ao nível troglodita e neo-tribal dos chungas que são a faceta urbana do atrofio evolucionista.

(Salvaguarde-se a possibilidade de se poder incorrer em erro por ajuizar demasiadamente depressa, estereotipando alguém sem justa causa perante atitudes comparáveis. Chungo é aquele que mantém esta postura caricata a grosso modo ao longo de grande parte do seu dia-a-dia.)

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7:19PM - papão

 

O Esperléu papão

 

Este Esperléu não dirige o seu sentido para a figura assustadora do “papão” que costumadamente é utilizada para amedrontar crianças, obrigando-as a uma forçada domesticação e à inversão de inúmeras atitudes erróneas que lhe são próprias. Falar aqui em papão significa antes de mais designar alguém que papa, ou melhor, para este caso em especial, alguém que pensa que vai papar, mas não papa. Este epirnipileto encontra convergências com o Esperléu chunga, na medida em que é sem motivos factuais que firma as suas manifestações dialógicas. Há assim uma passagem dissimulada do plano do fictício para o do factício. Vejamos como fazer-se passar por papão de garinas (ver miúdas) através do Esperléu papão. Existem duas vias de aceder a este Esperléu.

1ªvia: Em qualquer situação ou lugar, sempre que avistar um espécimen feminino (ou masculino) do tipo atractivo, não perca a oportunidade de apregoar este Esperléu, provavelmente o mais utilizado pelos aficionados da metodologia espranteca-chibirrriu. Declame expressões grandemente convencidas e reflectoras dos seus instintos descontrolados e imaturos.

“É biscate!! És boa que sa farta! Ai ai!... (pode assobiar desavergonhadamente enquanto satisfaz verbalmente todos os seus medíocres apetites) Só me apetece é ganir contigo ó boa!”

“Ai ai ai….É Láaaa!! Temos aqui carapau porco! Ai não!!”

 

2ªvia: Observemos agora a segunda proposta deste manéco-calhambeco, que é todavia a principal, e que consiste no exibicionismo perante amigos ou desconhecidos dos seus dotes sedutores. A expressão que deve usar, deve ser, contraditoriamente ao bom Don Juan, atabalhoada e asquerosa. Diga por exemplo:

“Ó pá, eu papo gajas a dar c´um pau!! Eu?? Tenho as gajas que quiser! Elas não me largam, e eu só tenho é de: pimba!!” (assobie gestualizando com o braço de modo a simular o coito.)

“Eu? É sempre a espatá-la! Tumba! Lá p’ra dentro! Até canta! Ai não!! Chega-lhe!”

“Dá-lhe na estaporna! Zarús!”

 

Pode usar muitas expressões como estas que são em absoluto das que mais resultados trazem no Esperléu papão. As pessoas olharão atonitamente para si, vendo-lhe um orgulho sem refinamento, vangloriando-se estupidamente, minimizando-se a si e desmanchando qualquer possibilidade de convencer o seu ouvinte. Semeie esta contradição, pois é sabido que às mulheres, atrai mais o requinte do que a mixórdia.

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6:25PM - bebé

 

O Esperléu bebé

 

Estamos diante de um tema que pode causar desgaste à sua voz, pelo que advertimos que este Esperléu não deve ser emitido por gente de voz sensível ou susceptível de rápida rouquidão. Os ruídos agudíssimos deste Esperléu devem ser, desta feita, moderados ou evitados, mas reservamos para cada um o direito de, ainda assim, optar pelo intento de o realizar.

Simulacro dos gritos dos fedelhos, são descarregados para a atmosfera muitos decibéis incomodativos. Os bebés, por chorarem e gritarem sem moderação em qualquer situação por menos indicada que esta seja, inspiraram este Esperléu que adquiriu honrosamente o seu nome.

Para fazer um Esperléu bebé é conveniente subir o tom da voz até oitavas bastante agudas, para simular o choro inquietante dos bebés em momentos de birra. Pronuncie sons muito agudos, em voz muito alta, agredindo o seu entorno com “pi-pi-piiii píiiuu! Ó bébéee piii-piiiu!!! Piiiiu, ai ai ai, o bébé esterniiiiico iiiiiiiiiiii!! AHH!AHHHH PIIIII-PIIIIU!!!”

Este esperlapítiiiu não está contra os bébés, muito pelo contrário, valoriza a sinfonia dos seus choros improvisados por estarem completamente no exterior das directivas sociológicas. Parabéns a eles, que, muito jovens conseguem estar mais soltos dentro de si e do mundo, libertando-se espontaneamente a si próprios e inclusive esculpindo os adultos para uma educação chaparníçi parnipíti.

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