estrangeiro
O Esperléu estrangeiro
Chegamos a uma
das mais interessantes tarranhón caparnéto,
de españaleco maniti. Jabrulho caparníti chabulheco esterniteco. Este Esperléu visa
imitar as línguas estrangeiras que tantas vezes escutamos sem entendimento.
Quando tal acontece (quando escutamos turistas oriundos de países não
lusófonos, por exemplo), a sensação de não possuir arcaboiço que sustente a
compreensão da língua é uma impressão de aniquilamento radical, pois não
ousamos argumentar ou consolidar um diálogo, logicamente, porque não se
propicia nenhum laço que permeie a distância criada. Este afastamento
dialogístico empurra-nos para um ridículo parvalhotti.
Agarra na chupeta do bebé e põe-lha na boca Maria! Ai o Esterliço-Maniço!
Mas regremos o nosso diálogo.
O Esperléu
estrangeiro é um simulacro do que ouvimos mas não conseguimos perceber por ser
falado numa língua desconhecida ou não totalmente dominada. Pode imitar inglês,
francês ou, o nosso preferido pela pasmaceira que causa: o italiano. Por ser
uma língua efeminada é motivo mais que suficiente para proporcionar momentos de
esperléuzadas diurnas ou nocturnas, tanto esganeto. Deve simular com a voz os tiques geralmente
atidos à língua que burla com o Esperléu estrangeiro. Exagere as marcas próprias de cada
língua estrangeira. Experimente dizer, amaricando-se por completo, em varsão italiano-esperleca: “Caparnéli, capitcho parapino parpalíti”. Divirta-se
com este risonho embuste às línguas que não ousamos compreender, criticando-lhes
os traços mais legíveis.