nascimento
O nascimento do Esperléu
Foi nos
arredores de Tomar, em finais dos anos 90, que foi feito o primeiríssimo Esperléu. Nasceu
de forma livre mas teve um parto difícil. Nós, construtores do método esperlipéu-pilau, gritávamos “CHAPARNÉLI, PINIMOLI,
CAPARNÍTI!” ou então “ESPERLÉUPÉUPÉU CHIPERNIPÉLI!”, enquanto afinávamos a
técnica que retomamos de um empregado de mesa que tantas vezes dizia:
“TRACAFECO TRACALHAMBECO!” Foi rebuscando nas memórias deste homem de nome
António que produzimos e desenvolvemos todo o mundo dos Esperléus. “Espernicoti-Esperlóf!”
dizíamos, sintonizando desta forma os esberréus calhastamínis. Cada
nova palavra fazia lembrar um esterniféti caparnéli, e nós fazíamos caretas estaparlélas.
Ainda no contexto das origens dos esperliços brota
das lembranças mais profundas que alcançamos um Esperléu de intensa originalidade
do Macedo chipinéti: “Ahhh Ahh Ahhh Ahhhh!
Sabes o que é que eu estóu a dizer? Tou com fome.” Estes foram provavelmente os primeiros
momentos em que se “esperleou” em Portugal, e,
provavelmente no mundo.
Decidimos juntar esforços para criar uma nova
linguagem que, por via directa, pegasse nas emoções em estado condensado
trazendo-as à luz. Queríamos despontar aquelas sensações que tantas vezes as
palavras não sabem definir e soltar as rédeas da imaginação, ajuntando
tremendas gargalhadas pós-escárnio. Rimos imenso mas depressa nos apercebemos
do valor revitalizador do Esperléu que forneceu um enorme
recobro na nossa saúde anímica. O ócio esgueirou-se para fora das nossas vidas
e a comédia instalou-se a cada momento em que traduzíamos mensagens simples em
convulsões quase esquizofrénicas.
Experimentamos
o sabor da crítica comportamental de alto calibre, dissimulada do outro lado de
uma agradável paranóia. O Esperléu nunca agride, bem pelo contrário, faz aflorar
sorrisos nitidamente naturais, traz alegria à vida de quem os faz e à de quem
os assiste.