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esperleu (esperleu) wrote,
@ 2003-09-28 11:00:00
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    esperléu !

     

     

    Esperléu!

     

     

    “…e sobretudo não temer o ridículo, pois quanto mais redutivo (…) maior será o Esperléu.”

     

     

    Gente há que por mais que fale pouco consegue dizer, outros nem por isso, e há ainda outros que nada dizem, mas dizem muito. Esses são os adeptos do “Esperléu”, que procuram alcançar a real essência da linguagem, permutando a ancestral linguagem conceptual por um dialecto abstracto e minimalista. Tampouco se trata de uma linguagem simbólica ou parabólica, o Esperléu é sobretudo um redireccionamento que se faz à própria língua, extraindo-se por intermédio desta técnica a matéria-prima da comunicação: um sentimento -em potência- dialogante.

    Compreendemos que os quadros lógico-sociais da civilidade humana incluem sobejamente o Verbo como substrato de quase toda a comunicação, mas sabemos também que este se encontra na origem tanto de concórdias como de discórdias, sendo que por diversíssimas vezes é na incapacidade de transmissão do sentimento para a palavra que se coloca o problema da oralidade comunicante. Não estamos em querer minimizar o papel da palavra, pois consideramos que o propósito da questão é tornar acessível a todos a fruição de uma comunicação o mais humanizada possível, apresentando o Esperléu como um seguro transmissor do que vai na alma de cada um. Não propomos sequer uma substituição linguística. Consideramos o valor do Esperléu pela sua economia, porque não usando de nenhum raciocínio lógico demorado, ele transmite o âmago de um sentimento mais ou menos profundo, de uma alegria ou de um simples devaneio. O Esperléu tem desta forma componentes recreativas, terapêuticas e educativas.

    O ser humano corrente pretende açambarcar para seu benefício a exclusividade, a auto-promoção e a vanglória. Percebemos essa necessidade inata nos mais comuns actos diários, observando uma defesa dos seus quaisquer estatutos com a finalidade de legitimar a sua posição na sociedade. O Esperléu rompe esses péssimos hábitos competitivos que estão na origem da edificação de barreiras (psicológicas) que distanciam entre si os homólogos da espécie. Esse fenómeno de auto-promulgação desfalece perante a argúcia da arte esperlipatana que separa tão sabiamente as águas da verdade das de mentiras firmadas sobre auto-defesas esperlipitecas.

    Não é nosso propósito calcinar o leitor com uma leitura demasiadamente densa, mas ESPERLÉPÉUPÉU!!!Estaparniçi!! Aiaiii chaparnilii, o esberréu esperléu esternocotó CAPARNACHA! ESPERLIÇO! (Ai que alívio…)

    O mundo do Esperléu é também o reino do ilógico. Não devemos no entanto perceber por ilógico algo que não inclui mensagem: devemos ao invés vê-lo como algo que rompe com os paradigmas vigentes, mas direccionado para uma finalidade que, como dissemos, pode ser lúdica ou qualquer outra. Quebrar as limitações constantemente impostas pela lógica formal parece adequar-se ao propósito de fuga para fora da esfera da lógica comum. Surge deveras prazenteira a possibilidade de, por momentos, arrecadar a coerência por um pouco, dobrando a página da compostura social mormente aceite. Tudo o que é descontextualizado ou incompatível, descentrado ou excêntrico pode ser, por consentâneo ao “reino do ilógico” atrás referido, considerado como um Esperléu ou derivado. Recordo neste instante um dia em que fui com a minha mãe às compras, e ela disse que a carne de vaca estava mais cara, e então eu, que era muito pequeno, ouvia-a a falar.

    Realizar Esperléus implica fazer uso das suas duas vertentes primordiais: O gesto e o som. Estes podem ser combinados ou talhados separadamente, tudo dependendo do Esperléu escolhido a cada momento. Acção e som, como plataformas de suporte de quase todas as áreas da vida, são afincadamente trazidos à baila nesses momentos tão sui-géneris do Esperléu.

    Seria importante referir também a dificuldade sentida por muita gente que tenta sem sucesso levar a cabo a tarefa de libertação e naturalidade que é visada no Esperléu. Nunca desanimem, pois um bom Esperléu precisa de alguns ingredientes: Treino, espontaneidade, e sobretudo não temer o ridículo, pois quanto mais redutivo, auto-humilhante e incoerente, maior será o Esperléu. Salte, grite, caricature qualquer situação, mas acima de tudo viva este teatro na própria carne, sinta profundamente e deixe fluir essa energia encerrada dentro de si, aprisionada pelos esquemas sociais repressores e inibidores.

    Mas talvez a melhor forma de introduzir a temática seja apresentando vários exemplos agregados de uma elucidação simples. E é com acrescida simplicidade que entraremos -agora sim- no verdadeiro domínio do Esperléu. BEM HAJA CHAPARNIÇOS! Ô-DASSS!

     



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