![]() |
|
![]() |
|||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||
“…e sobretudo não temer o ridículo, pois quanto mais redutivo (…) maior será o Esperléu.” Gente há que
por mais que fale pouco consegue
dizer, outros nem por isso, e há ainda outros que nada dizem, mas dizem muito.
Esses são os adeptos do “Esperléu”,
que procuram alcançar a real essência da linguagem, permutando a ancestral
linguagem conceptual por um dialecto abstracto e minimalista. Tampouco se trata
de uma linguagem simbólica ou parabólica, o Esperléu
é sobretudo um redireccionamento que se faz à própria língua, extraindo-se por
intermédio desta técnica a matéria-prima da comunicação: um sentimento -em
potência- dialogante. Compreendemos
que os quadros lógico-sociais da civilidade humana incluem sobejamente o Verbo
como substrato de quase toda a comunicação, mas sabemos também que este se
encontra na origem tanto de concórdias como de discórdias, sendo que por diversíssimas
vezes é na incapacidade de transmissão do sentimento para a palavra que se
coloca o problema da oralidade comunicante. Não estamos em querer minimizar o
papel da palavra, pois consideramos que o propósito da questão é tornar
acessível a todos a fruição de uma comunicação o mais humanizada possível,
apresentando o Esperléu como um
seguro transmissor do que vai na alma de cada um. Não propomos sequer uma
substituição linguística. Consideramos o valor do Esperléu pela sua economia, porque não usando de nenhum raciocínio
lógico demorado, ele transmite o âmago de um sentimento mais ou menos profundo,
de uma alegria ou de um simples devaneio. O Esperléu
tem desta forma componentes recreativas, terapêuticas e educativas. O ser humano
corrente pretende açambarcar para seu benefício a exclusividade, a
auto-promoção e a vanglória. Percebemos essa necessidade inata nos mais comuns
actos diários, observando uma defesa dos seus quaisquer estatutos com a
finalidade de legitimar a sua posição na sociedade. O Esperléu rompe esses péssimos hábitos competitivos que estão na
origem da edificação de barreiras (psicológicas) que distanciam entre si os homólogos
da espécie. Esse fenómeno de auto-promulgação desfalece perante a argúcia da
arte esperlipatana que separa tão sabiamente as águas da verdade das de mentiras
firmadas sobre auto-defesas esperlipitecas. Não é nosso
propósito calcinar o leitor com uma leitura demasiadamente densa, mas ESPERLÉPÉUPÉU!!!Estaparniçi!! Aiaiii chaparnilii, o esberréu esperléu
esternocotó CAPARNACHA! ESPERLIÇO! (Ai que alívio…) O mundo do Esperléu é também o reino do ilógico.
Não devemos no entanto perceber por ilógico algo que não inclui mensagem:
devemos ao invés vê-lo como algo que rompe com os paradigmas vigentes, mas
direccionado para uma finalidade que, como dissemos, pode ser lúdica ou qualquer
outra. Quebrar as limitações constantemente impostas pela lógica formal parece
adequar-se ao propósito de fuga para fora da esfera da lógica comum. Surge
deveras prazenteira a possibilidade de, por momentos, arrecadar a coerência por
um pouco, dobrando a página da compostura social mormente aceite. Tudo o que é
descontextualizado ou incompatível, descentrado ou excêntrico pode ser, por
consentâneo ao “reino do ilógico” atrás referido, considerado como um Esperléu ou derivado. Recordo neste
instante um dia em que fui com a minha mãe às compras, e ela disse que a carne
de vaca estava mais cara, e então eu, que era muito pequeno, ouvia-a a falar. Realizar Esperléus implica fazer uso das suas
duas vertentes primordiais: O gesto e o som. Estes podem ser combinados ou
talhados separadamente, tudo dependendo do Esperléu
escolhido a cada momento. Acção e som, como plataformas de suporte de quase
todas as áreas da vida, são afincadamente trazidos à baila nesses momentos tão
sui-géneris do Esperléu. Seria
importante referir também a dificuldade sentida por muita gente que tenta sem sucesso
levar a cabo a tarefa de libertação e naturalidade que é visada no Esperléu. Nunca desanimem, pois um bom Esperléu precisa de alguns ingredientes:
Treino, espontaneidade, e sobretudo não
temer o ridículo, pois quanto mais redutivo, auto-humilhante e incoerente,
maior será o Esperléu. Salte, grite,
caricature qualquer situação, mas acima de tudo viva este teatro na própria
carne, sinta profundamente e deixe fluir essa energia
encerrada dentro de si, aprisionada pelos esquemas sociais repressores e inibidores.
Mas talvez a
melhor forma de introduzir a temática seja apresentando vários exemplos agregados
de uma elucidação simples. E é com acrescida simplicidade que entraremos -agora
sim- no verdadeiro domínio do Esperléu. BEM HAJA CHAPARNIÇOS! Ô-DASSS! Post a comment in response: |
| © 2002-2008. Blurty Journal. All rights reserved. |