finório
O Esperléu finório
O Esperléu finório é o tipo chique
de Esperléu,
que visa representar as hipocrisias da alta sociedade. O Esperléu é também um acto crítico
que demonstra que você conhece e domina os esquemas sociais e as suas
características próprias. Trata-se de um ponto médio entre a crítica subversiva
e a argúcia de espírito, indicando a quem ouve o Esperléu finório uma audácia sem culpa que transmite de forma singela todo
o meticuloso enredo do “jet set”.
Apontando a prática do Esperléu
para um adentramento à essência da linguagem sem fazer
uso de palavras contextualizadas, sobeja então todo o espírito substitutivo da
lógica verbal que, de forma sub-reptícia, aclara a intenção do realizador
proporcionando momentos de lazer e risota inolvidáveis.
A
técnica passa por efectuar este Esperléu sentindo à priori a tacanhez e mesquinharia do
requinte dessa elite social. O autor deve encolher os ombros, abanando, colar
os antebraços ao longo do corpo e deixar as mãos bastante soltas, oscilando e
emitindo com as cordas vocais sonoridades desconexas sempre de forma suave, insistindo em sons mais picuinhas como
exemplarmente “uis, uis, espi-spish pernitiiii, espépé, espepé-pé…iiiiii,espernéééliiiti”. Fale
devagar e procure repetir ruídos evitando os “ós” que
são sílabas graves e pouco refinadas. Simule uma gaguez inspirando e expirando
enquanto harmoniza o Esperléu.
Se sentir fazê-lo, bata palminhas delicadamente no início, aumentando a
intensidade até se ouvir bem o som agudo de um forte aplauso. Com a boca, faça
convincentemente figuras niquentas, vibrando com a conjuntura delicada deste
espirituoso Esperléu.
Considere este
protocolo uma dica de como o fazer, mas o importante é que, qualquer que seja o
modo de representação, ele figure responsavelmente uma personagem adepta de
ninharias. A adição de comédia, essa, caracteriza o Esperléu.